<font color=0093dd>Fazer a diferença</font>
No lançamento da coligação eleitoral que reúne o Partido Comunista Português, o Partido Ecologista «Os Verdes» e a Associação Intervenção Democrática, Deolinda Machado dirigiu a sessão e começou logo por dar o mote: «nada é impossível de mudar». É portanto «confiança na luta e resistência» que transmitimos com este acto público de apresentação da CDU, aludiu a dirigente sindical, para quem «o quadro político em que nos encontramos» prova que «não há inevitabilidades», que «a política se faz de escolhas, opções».
Defendendo a necessidade da implementação de políticas que respondam aos grandes flagelos e às aspirações populares, Deolinda Machado lembrou ainda que um dos objectivos da campanha do PCP-PEV que agora se inicia é «elevar a consciência social e política de todos os cidadãos». Somos por isso, «impelidos a agir», a não funcionar como meros espectadores», mas a «intervir para transformar».
«Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixámos de fazer», lembrou ainda Deolinda Machado, citando Molière, abrindo, aliás, passo ao fim condutor da intervenção que se seguiu.
Com efeito, João Vicente, em nome da Associação Intervenção Democrática – salientou, cuja «intervenção nesta jornada só poderia acontecer de modo consequente no seio da CDU» –, advertiu para a tentação de «embandeirar em arco» ou a «descansar à sombra da obra realizada».
Depois de um curto registo sobre a influência eleitoral da CDU no território nacional, João Vicente prosseguiu os alertas recordando que pese embora seja «inquestionável a superioridade da gestão autárquica da CDU (a qual a metade Sul do País pode testemunhar), porque não é notícia que agrade ao latifúndio da comunicação social, o eco dessa superioridade não chega, ou chega carregado de ruído, ao centro e Norte do País».
Mais do que um lamento, a ideia foi reiterar que «cabe a nós e só a nós, sem ajudas, a tarefa de redobrar esforços». «Somos diferentes, para melhor, dos nossos adversários. Cabe-nos acentuar essa diferença», insistiu.
Quiçá inspirada por estas palavras, Heloísa Apolónia relatou duas condutas que mostram bem o que distingue a CDU das outras forças políticas. Na Baixa da Banheira, concelho do Barreiro, de maioria CDU, há anos que a população e os eleitos pelo PCP-PEV reivindicam a construção de um centro de saúde. A luta prolongada está perto de dar frutos porque o actual Governo PS foi obrigado a comprometer-se com a concretização daquele equipamento.
Bem distinta é a situação em Odivelas, de gestão PS, cujos eleitos aprovaram, com o voto contra e o protesto dos representantes da CDU, a reversão da cedência de um terreno municipal para a edificação do reclamado centro de saúde, «dando assim sinal ao Governo PS de que desistiam da sua construção», concluiu Heloísa Apolónia, sugerindo que os eleitores também retirem, da comparação destas condutas, as devidas conclusões.